18:47 · a rendição
O vigilante olha para o tablet. Não existe crachá para emprestar.
O reconhecimento acontece dentro do aparelho, sem mandar imagem
para lugar nenhum. O que identifica a pessoa não é uma foto: é um
vetor de 128 números que descreve o rosto, e ninguém reconstrói
alguém a partir dele. Foi feito assim por causa da LGPD.
A batida sai com número sequencial próprio e uma assinatura de
integridade calculada sobre os dados dela, gravada junto.
descriptor 128d
SHA-256 24 caracteres
a imagem não sai do aparelho
20:12 · a volta começa
Ponto de ronda só fecha se o aparelho estiver lá.
A leitura do QR e a passagem por GPS só são aceitas dentro do raio do
ponto. Fora dele o aplicativo recusa e diz a distância exata que
falta. O que fica gravado não é a palavra de quem passou: é a
posição, a distância até o ponto e a hora.
O percurso tem 8 pontos. O que o cliente recebe depois é o traçado,
na ordem real em que foi feito.
8 checkpoints
recusa fora do raio
distância gravada
21:36 · 8 de 8, em 34 min
A aderência só conta o que já venceu.
Volta marcada para as 3h da manhã não entra na conta às 9h da noite.
Parece óbvio, e quase nenhum sistema faz. O que não faz isso mostra a
operação com 30% de aderência de manhã cedo, e o cliente liga
reclamando de um problema que não existe.
8 de 8
34 min
denominador = o que já venceu
23:04 · a internet cai
O relógio não para quando a rede para.
Posto sem sinal é regra, não exceção. A batida vai para uma fila no
próprio aparelho, numerada, e sobe sozinha quando a conexão volta — na
ordem em que aconteceu.
O número sequencial tem piso vindo do servidor: se o Android
limpar os dados do tablet, a contagem continua de onde parou em vez de
voltar para 1. Repetir número sequencial é o que a Portaria 671 proíbe,
e é o erro que só aparece meses depois, na fiscalização.
sem rede
fila local
NSR com piso do servidor
01:52 · fora do raio
Dizer que alguém está fora exige mais do que uma bolinha no mapa.
O aparelho informa a própria margem de erro, e essa margem vira
folga — até um teto de 300 metros. Sem isso, um GPS que erra 200 m
acusaria de fraude gente que estava no portão. Acima de 150 m de
imprecisão a batida sai marcada como GPS Impreciso, e relatório
nenhum mistura as duas provas.
Bloquear ou apenas registrar é decisão de cada posto. Quem
trabalha na rua entra na escala como ponto livre e sai como
Em Trânsito — o sistema não pode travar quem roda a cidade.
Fora do Raio 340 m
folga do GPS até 300 m
acima de 150 m → GPS Impreciso
raio mínimo da cerca 25 m
02:30 · o rosto que não bate
A régua do reconhecimento, e a vez em que a apertamos demais.
Em agosto apertamos o limiar de 0,50 para 0,42 olhando só um lado da
conta: o impostor mais parecido da base. Medimos depois nas
179 batidas faciais reais de produção e o estrago apareceu —
35% das batidas legítimas (63 de 179) seriam recusadas. Gente
honesta parada no relógio às 6h da manhã.
Voltamos para 0,50, que aceita 100% das batidas observadas. O que
impede troca de identidade não é apertar o número: é a margem de
ambiguidade — dois candidatos próximos, ninguém é aceito — e o
consenso de quadros, maior dentro da zona cinzenta.
mediana 0,400
p90 0,480
0,42 recusaria 35%
margem de ambiguidade 0,10
até 5 amostras aprendidas com o uso
03:10 · o posto fica descoberto
Ninguém bateu entrada no Galpão Norte.
Não é a ausência que derruba contrato. É descobrir a ausência no dia
seguinte, pela boca do cliente. O alerta sai enquanto ainda dá para
mandar cobertura.
E o alerta não é um sino na tela de alguém que já foi dormir: ele
escala. O aviso insistente vai de minuto em minuto até alguém
confirmar que viu.
sem cobertura
varredura a cada 5 min
alarme insistente a cada 1 min
04:20 · a cobertura chega
Resolvido em 1h10 — e a justificativa não pode travar o posto.
A volta que não saiu é cobrada na próxima, com motivo de um toque. Mas
existe saída de emergência: libera na hora e marca pendente para
a central apurar depois. Segurança patrimonial não pode ficar sem ronda
porque faltou preencher papel.
resolvido em 1h10
justificativa obrigatória, nunca bloqueante
06:00 · turno fechado
Agora tudo aquilo precisa virar documento.
É aqui que a maioria dos sistemas para: registra a noite e entrega uma
lista. O que a empresa precisa é da noite convertida em espelho de
ponto, relatório do cliente, horas na folha e arquivo para
fiscalização — sem ninguém digitar nada.